O que passa a definir a maturidade dos CSCs é a capacidade de gerir serviços de forma integrada, estratégica e conectada ao negócio. E é justamente nesse ponto que muitas operações começam a enfrentar suas maiores limitações.
Ainda existe uma visão muito operacional sobre o papel dos CSCs dentro das empresas. Em muitos casos, a estrutura continua focada apenas em execução, controle e atendimento de demandas. Mas um CSC maduro não atua apenas como uma área de suporte. Ele participa da estratégia, entende as prioridades da companhia, se conecta às demais áreas do negócio e contribui diretamente para decisões, eficiência e transformação.
Essa mudança exige uma nova postura das lideranças. O líder de CSC precisa deixar de olhar apenas para indicadores operacionais e ampliar sua atuação para uma visão mais política e estratégica dentro da organização. Isso significa fortalecer relacionamento com as áreas atendidas, compreender os impactos do negócio, antecipar demandas e participar das discussões que influenciam crescimento, produtividade e experiência dos clientes internos.
Sem essa proximidade, o CSC tende a permanecer restrito a uma função operacional. Com ela, passa a ocupar um espaço mais protagonista dentro das empresas.
Esse movimento também muda a forma como melhoria contínua e indicadores devem ser tratados. Muitas organizações ainda utilizam métricas apenas como instrumentos de monitoramento. Mas indicadores, sozinhos, não transformam operações. O valor está na capacidade de usar dados para revisar processos, eliminar gargalos, integrar áreas e gerar decisões mais inteligentes.
É nesse contexto que a inteligência artificial ganha relevância. A IA tem potencial para acelerar a eficiência, automatizar atividades e ampliar capacidade analítica. Mas existe um erro recorrente no mercado: acreditar que tecnologia resolve estruturas desorganizadas.
Na prática, automatizar processos mal definidos apenas acelera problemas que já existiam. Os resultados mais consistentes aparecem quando tecnologia, processos, governança e gestão de serviços evoluem juntos. A inteligência artificial não substitui a maturidade operacional. Ela potencializa operações que já possuem estrutura, integração e clareza estratégica.
Por isso, o debate mais importante para os CSCs não é sobre substituição de funções, mas sobre evolução do papel da operação dentro das empresas. O profissional de CSC deixa de atuar apenas como executor e passa a assumir uma posição mais analítica, consultiva e orientada ao negócio.
Ao mesmo tempo, os CSCs também deixam de ser vistos apenas como estruturas de redução de custos. Passam a atuar como hubs de eficiência, experiência, inteligência operacional e transformação organizacional.
O futuro dos CSCs não será definido apenas pela capacidade de processar volume ou reduzir despesas. Será definido pela capacidade de integrar pessoas, tecnologia, processos e relacionamento em uma lógica contínua de evolução e geração de valor para o negócio.
Porque, no cenário atual, eficiência já não basta. O que diferencia as organizações é a capacidade de transformar operações em estratégia.
Alexandre Vomero é um executivo sênior com ampla experiência na liderança de operações complexas, transformação organizacional e inovação digital em grandes corporações. Atualmente, lidera as áreas de Tecnologia e CSC do Grupo Hoteleiro Mabu, atuando na integração entre negócio e tecnologia para impulsionar eficiência, automação e evolução de modelos operacionais. Possui histórico sólido na condução de programas end-to-end, gestão de grandes estruturas e desenvolvimento de lideranças. É reconhecido por gerar impacto real, escalabilidade e valor sustentável por meio da transformação.